A minha vida é uma correria diária e mesmo assim posso verdadeiramente dizer: vivo como sempre quis

Já nos meus primeiros contatos com as artes, me apaixonei por ela de tal forma que jamais consegui aceitar outro destino senão o de viver envol- vida e trabalhando em suas diferentes áreas e meios.Por isso, quando em todas as manhãs atravesso a cidade de um extremo a outro para iniciar o dia trabalhando num escritório de produção cultural, cuidando desde a compra de um cavalinho de pau para ser adereço de um espetáculo, passando pela contratação de fornecedores para uma grande turnê nacional até o sentar na plateia ou ficar no cantinho do palco para assistir ao show que ajudei a produzir, penso: sim, vivo como sempre quis. E quando saio correndo do escritório para a academia onde pratico e ensino ballet clássico, além de estudar dança moderna e fazer parte do seu premiado grupo de danças, a felicidade me invade e, a cada aula praticada ou ensinada, a cada ensaio ou apresentação, não me restam dúvidas: sim, vivo como sempre quis. E nas sextas-feiras, quando saio correndo do escritório em direção ao meu bairro para ensinar ballet clássico para crianças da minha comunidade, em um espaço totalmente improvisado no qual divido com elas todo o meu conhecimento e minha paixão não só pelas danças, mas pelas artes como um todo, me sinto realizada, e então afirmo: sim, vivo como sempre quis. Realmente vivo como sempre quis e por isso digo: sou feliz.

Fabiana Maria
– Aluna e professora de ballet clássico na Academia
de Ballet Marilda Flores. Assistente de Produção
Cultural na Ramil e Uma Produções Artísticas.
Fundadora do Projeto Social Ballet, Arte e Sonhos.